De volta: Ciências Sociais, preconceitos, Tailândia e ativismo.

Já fazia um bom tempo que não postava aqui... Simplesmente os estudos acadêmicos me consumiam quase que totalmente, mas isso foi um bom sinal porque finalmente defini minhas prioridades e "o resto que se exploda" !! Mas hoje me senti motivada para rever minhas escritas e deixar mais um rastro virtual, a fim de espantar meus fantasmas ("o escritor e seus fantasmas", como já dissera o escritor Ernesto Sabato). A motivação principal para isso se deveu a dois fatos: primeiro fato, a primeira aula de uma disciplina chamada "Tópicos Especiais de Antropologia VII", sobre sexualidades, em que para mim a explanação mais marcante da professora foi sobre a utilidade de um diário de campo para o(a) antropólogo(a). Eu nunca imaginei esta idéia genial de deixarmos reservadas as folhas da esquerda para a escrita dos sentimentos (porque o coração fica no lado esquerdo do peito !), enfim, de tudo aquilo que foi e é marcante para a subjetividade do pesquisador(a). E as da direita para a escrita da razão, por assim dizer, da objetividade, característica marcante das chamadas Ciências Naturais. Achei tão genial que vou adotar por toda a vida, mesmo que não seja necessariamente num diário de campo formal de todo antropólogo(a), vale também para um caderno velho e todo surrado, onde costumo rabiscar algumas anotações por vezes sem nexo para quem as lê. E por falar em diário de campo, tá na hora de eu comprar um bom e novo caderno para me servir de diário, pois o primeiro tá cheio de marcas de mordidas da minha Emília Joyeux, uma scottish terrierista !! O segundo fato remonta ao que acabei de assistir no programa Fantástico de 12/08, sobre o caso Richarlyson, jogador do São Paulo Futebol Clube, acusado de ser homossexual e mesmo não o sendo, acabou vítima de uma conduta reprovável de um juiz de Direito, cuja sentença se mostrou claramente recheada de preconceitos contra os homossexuais, afirmando que os jogadores de futebol homossexuais não poderiam nem estar jogando num clube de futebol. Bom, os argumentos que li nessa reportagem inevitavelmente me fizeram lembrar do meu caso, em que também um juiz de Direito teve a mesma conduta, com a diferença de que o preconceito foi em razão de minha deficiência auditiva. Contrariamente a esse jogador de futebol, fui aconselhada por amigas advogadas a não denunciá-lo na OAB/SC. Em todo caso, essa história não ficará impune, dir-lo-ei um dia com todas as letras.
Mudando um pouco de assunto, de lá pra cá muita coisa aconteceu... Hoje, estudando Ciências Sociais - um curso que me dá o maior tesão, coisa que deixei de sentir na Química a partir de 1999 -,compreendo melhor por que as pessoas são (e podem ser) tão diferentes umas das outras. Só não compreendo as tantas inutilidades, hipocrisias, discriminações e preconceitos, razões pelas quais me fazem querer reproduzir um texto meu, escrito há alguns anos, intitulado A Máscara.
Para finalizar, neste momento sinto nostalgia das minhas peripécias ativistas na Tailândia, esperando rever numa outra oportunidade este país e as pessoas que participaram comigo da capacitação lá. Quem sabe ? Nunca levo a vida, deixo que a vida me leve. De resto, formal e/ou informalmente continuo no ativismo pelos direitos humanos das pessoas com deficiência e das vítimas de qualquer forma de violência e exploração sexual.

2 Comments:
Eu gostaria de ler "A máscara". (re)Publica, vai,... por favor!
rsrsrsrs
Abs.
Eis aqui uma das belas almas que encontramos em meio a tempestades e terremotos que estivemos imersos. Não podemos negar que sempre que pensamos em solução aos nossos problemas, pensamos em boas pessoas, boas almas, boas palavras como as suas!!
Sucesso querida amiga Anahi.
Fabiano Souto
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